Família Aguiar: como funciona busca com cães farejadores por desaparecidos há quase dois meses no RS
Cães farejadores do Corpo de Bombeiros Militar do RS
Equipes do Corpo de Bombeiro Militar (CBM) e da Polícia Civil realizam mais trabalhos de busca pela família Aguiar em áreas rurais da Região Metropolitana de Porto Alegre. Os agentes estão utilizando cães farejadores para procurar os corpos de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e os pais dela, Isail Aguiar, de 69, e Dalmira Aguiar, 70, desaparecidos desde os dias 24 e 25 de janeiro.
Cães e policiais funcionam como um só agente — e por isso são chamados de binômios. O treinamento é feito pelos bombeiros e a atuação nas buscas é solicitada pela polícia. Os animais são treinados desde os 45 dias de vida para diferentes finalidades em diferentes locais.
📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp
No desaparecimento da família Aguiar, estão sendo levados cães de “duplo-emprego”, habilitados a buscar tanto pessoas vivas, quanto pessoas mortas. A Polícia Civil já trata o caso como um feminicídio e um duplo homicídio.
Os binômios vão até o local indicado pela polícia e atuam em uma área delimitada buscando por algum vestígio. Os cães costumam trabalhar em ternos de até uma hora e depois descansam. Neste caso, são usados dois cães a cada chamado. Até o momento, os corpos não foram encontrados.
“Os cães têm faro e agilidade para percorrer um terreno extenso em um tempo muito menor do que um ser humano faria. O binômio funciona como uma engrenagem que se completa: homem-cão. Para nós, é uma ferramenta indispensável. Não consigo mais ver uma atividade de busca e salvamento sem a presença do cão”, afirma o primeiro-tenente Rafael Vieira, porta-voz do Corpo de Bombeiros no RS.
🐕🦺 Os cães possuem capacidade olfativa quase 50 vezes maior que a dos seres humanos. O nariz do ser humano conta com cerca de 5 milhões de células olfativas, enquanto os cachorros possuem cerca de 200 milhões. Graças a esse sentido apurado, os cães conseguem detectar e diferenciar muito mais cheiros.
“Durante as enchentes de 2023 e 2024, conseguimos ver como é importante a presença do cão nas atividades dos bombeiros e da política”, completa.
Cada animal é habilitado para uma finalidade. Cães de esquadrões antibomba, por exemplo, são treinados para serem extremamente cautelosos a fim de evitar a ativação de artefatos explosivos. Já aqueles que buscam pessoas desaparecidas há quase dois meses são treinados para buscar diferentes odores.
“Temos convênios com hospitais e os cães são treinados com segmentos de pessoas que faleceram e que são autorizados pelo doador. Então eles estão habilitados para trabalhar com restos humanos. O corpo que morre solta odores diferentes ao longo do tempo, então temos que treinar eles com corpos de uma semana, duas semanas, um mês etc. Ele busca realmente o cheiro de uma estrutura humana que morreu”, explica o primeiro-tenente Vieira.
Os binômios são inseparáveis. O policial condutor fica com o animal o tempo inteiro durante o serviço no quartel e depois o leva junto para casa em períodos de folga. Mas o trabalho também exige um nível de sigilo e ambos só conhecem o local em que vão realizar as buscas no momento da ação.
Polícia e bombeiros fazem buscas com cães farejadores a família desaparecida no RS
Autoridades concentram buscas em área rural
As autoridades concentram esforços na área rural de Gravataí, após perícia identificar um sinal do celular de Silvana de Aguiar, de 48 anos, na região, dias depois do seu desaparecimento em 24 de janeiro.
Na mesma região também se localiza um sítio pertencente a um familiar do principal suspeito do crime, o policial militar Cristiano Domingues Francisco.
Na sexta (13), os trabalhos ocorreram na região da Vila Anair, em uma residência que seria de um familiar do suspeito, conforme apurou a RBS TV. Foram pelo menos quatro locais de busca, incluindo áreas rurais de Cachoeirinha e Gravataí.
A polícia apreendeu pelo menos um telefone celular e um notebook. Além disso, dois veículos foram apreendidos para perícia. Os bens são de familiares do principal suspeito do crime.
As contas bancárias de Silvana, Isail e Dalmira não tiveram movimentação no período. Em razão disso, a polícia praticamente descarta encontrar a família com vida. Silvana, inclusive, integra a lista oficial de vítimas de feminicídio no RS em 2026.
"Nenhuma pessoa ficaria mais de 40 dias fora da sua residência sem fazer movimentações financeiras para subsistir. Não condiz com a realidade", afirma o delegado Anderson Spier.
A principal linha de investigação é de que se trata de feminicídio (contra Silvana), duplo homicídio (pais dela) e ocultação dos cadáveres.
O único suspeito é o policial militar e ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, que está preso temporariamente desde 10 de fevereiro.
Em nota, o advogado Jeverson Barcellos, que representa Cristiano, informou que mantém "efetiva colaboração com as autoridades" e que "irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus". Leia abaixo a
Fonte original: abrir